

Por Thiago Sousa / 21 de Julho, 2015
Porém, mal ela sabia que o destino já havia lhe preparado outro caminho.
Anos e anos se passaram, a menina hoje já era uma mulher, não dava mole para homem nenhum, os usava antes mesmo de ser usada, traia ao invés de ser traída e nunca, definitivamente nunca, se entregava. Pois, para ela, entregar-se era sinônimo de se perder e consequentemente sofrer.
Existia um sentimento que sempre surgia em tempos chuvosos, domingos parados e principalmente em invernos gelados. Era de saudades da menina livre, sem cascas e máscaras, que se arriscava, sonhava e se entregava, mas que um dia se perdeu; com o tempo mudou, acumulou dor, colecionou lágrimas e se adaptou ao mundo exterior.

Em uma madrugada fria, depois de mais uma balada agitada, que a fazia esquecer as dores que o mundo e o amor causavam, ela chegou a sua casa e aquele sentimento bateu. De repente uma vontade louca de desistir de tudo, ela subiu as escadas correndo e tropeçando com seu salto 15 que sempre a incomodava, entrou no quarto dos pais sem bater na porta, olhou chorando para eles e sem falar nada, pulou na cama e pela primeira vez assumiu que não aguentava mais ser uma pessoa diferente dela mesma. Naquela noite, depois de uma longa e reveladora conversa com os pais, ela não foi para seu luxuoso quarto, como de costume, deitar na sua cama king size, mas sim para o lugar onde ela mais se sentia confortável, então adormeceu admirando as estrelas no telhado, como sempre fazia na época de menina.
O dia amanheceu e ao abrir os olhos, levou um susto por ver seu primeiro e único amor. Por incrível que pareça ele ainda estava jovem como no dia em que a deixou.
O que pareceu um pouco estranho nos primeiros instantes. Então, levantou a cabeça, olhou ao redor e não estava no telhado onde havia adormecido, e sim, ainda dentro do carro dele. Agitou-se e rapidamente “correu” para se olhar em um espelho que tirou de sua bolsa. Tudo não passava de um sonho, ela ainda era uma menina.
O impacto da notícia dele a fez desmaiar e nesse tempo desacordada ela teve a oportunidade de ver aonde certas escolhas iriam a levar.
Seu “ex” estava suado e ofegante, repetindo desesperadamente a mesma pergunta:
“Você está bem?”. Ela o olhou, sorriu e o abraçou; ele fez pela última vez a mesma pergunta, só que agora, seguida de outra porque ele estava confuso com tudo isso:
- Você está bem? Você está feliz?
- Sim, estou. Você tem todo o direito de me deixar. A grande diferença é que agora eu não vou me abandonar, vou viver, ser quem eu gosto de ser e nunca mais vou ter medo de amar.
Em seguida ela saiu do carro sentindo uma liberdade que nunca havia sentido antes. Ele coçou a cabeça e ficou uma hora parado com o carro sem parar de pensar, imaginando que a tinha deixado maluca com o que falou e que a pobre menina tinha surtado, já que a atitude dela foi totalmente diferente do que ele tinha imaginado. Porém, ele não imaginava que a partir daquele momento.
Continua
