

Por Thiago Sousa / 23 de Julho, 2015
Porém, ele não imaginava que a partir daquele momento...
Ela não deixou o medo de sofrer a transformar, pelo contrário, aprendeu que o melhor da vida é arriscar-se.
Generalizar só porque um dia um cara qualquer a fez chorar não fazia parte do seu estilo de ser.
Ela continuou sofrendo, por muitas vezes se decepcionou, chorou, foi enganada e errou. Mas nunca mais deixou de fazer suas escolhas com base em quem ela era.
Ela acreditava que quando você tem um caminho, um jeito, uma direção e não se desvia disso por qualquer frustração, uma hora você identifica alguém com o mesmo propósito que o seu.
Meses se passaram e ela encontrou alguém com quem namorou e depois de anos casou-se. Como em qualquer história o tempo passou.

Aos seus oitenta e cinco anos, ela perdeu seu grande amor, ela foi deixada de novo; desta vez não foi para vida, mas para morte, nem tinha sido sonho ou ficção, foi real, como uma facada no coração. Porém a dor da perda foi aos poucos abafada pela alegria da lembrança dos momentos vividos.
No velório, suas palavras emocionaram e surpreenderam a todos:
“Nunca tivemos um casamento perfeito, longe disso; brigávamos o tempo todo, pensamos em desistir milhões de vezes, ele era totalmente diferente de mim e isso me irritava, mas descobri que as diferenças nos equilibravam, ele muito devagar e eu totalmente acelerada, ele calmo e eu estressada, não vivíamos longe um do outro, o jeito diferente dele me deixava segura e me completava, eu poderia amá-lo por milhões de anos, pois com ele descobri que o amor é infinito e liberta, esse amor que ele me mostrou não era para os perfeitos, só servia para os imperfeitos, pois a maior virtude desse amor era aceitar defeitos.”
Com uma lágrima escorrendo pelo seu rosto, olhou para suas três lindas filhas e seus dois netos e pensou em como tudo valeu a pena, e mais uma vez ouviu a voz do seu amor dizendo o que repetia todos os dias: “Seja você, sempre”.
Moral da história: você pode desistir de muitas coisas, mas nunca de quem você é. Não mude pelas circunstâncias a sua volta, seja você e sinta-se bem. Por mais que seja difícil ser transparente e verdadeiro, se olhar no espelho, sorrir e se reconhecer, já vale a pena, pelo prazer de viver sem armaduras e proteção nesse mundo de pessoas “fortes” sem coração.
